Microagulhamento: tratamento estético que requer cuidados

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O método que está fazendo a cabeça de celebridades por proporcionar rejuvenescimento, deve ser realizado por profissionais capacitados
Por Márcia Moreno
Jefferson Assandre

O procedimento conhecido como microagulhamento ficou famoso nos últimos anos por ser difundido em redes sociais por celebridades, como Gisele Bundchen e outras famosas. Também chamada de indução percutânea de colágeno ou terapia de indução de colágeno, o mecanismo de ação da técnica é promover um processo de reparo tecidual, “desencadeado pelo processo inflamatório induzido – das agulhas, favorecendo a formação de novas fibras de colágeno funcionais”, explica especialista em cosmetologia aplicada a estética, Jeff Assandre. O instrumento usado para a técnica é o “roller”, que é um sistema com até 540 microagulhas colocadas simetricamente em um rolinho, que ao ser passado na pele, gera microlesões, que vão fazer o processo de regeneração do tecido, “auxiliando no preenchimento, sustentação e resistência da pele”, conta Assandre.  As indicações para o procedimento são várias: rejuvenescimento de face, pescoço, orelha e mãos, acne e cicatrizes de acne, rugas e linhas de expressão, flacidez leve, poros abertos, hipercromias e estrias.

Histórico

A técnica foi desenvolvida pelo médico  sul-africano Desmond Fernandes, que iniciou estudos com indução de colágeno através da técnica de subcisão. Em 1997, o Dr. André Camirand realizou avaliação em manchas e cicatrizes que melhoraram com uso de microagulhas (equipamento de tatuagem). Em 2004, foi desenvolvido o primeiro equipamento com 200 agulhas com o aspecto de rolo – conhecido hoje em dia. Em 2005, foi publicado o primeiro estudo científico com resultados clínicos aprovados.

Uso na estética

As esteticistas podem utilizar o roller até 0,5 mm. “Com esta profundidade, podemos atingir até camada basal, sendo dependente da espessura da pele”, conta Assandre.  O profissional diz que na literatura há a advertência de que quanto mais fina for a pele, maior será o dano tecidual. “Desta forma, não podemos relacionar ou padronizar a injúria causada versus o comprimento da agulha. Tudo vai depender da qualidade da pele e das condições biológicas que ela apresenta”, diz.

Vale lembrar que é indispensável a capacitação profissional (curso preparatório) para a realização do microagulhamento – pois requer conhecimento fisiológico, compreensão criteriosa da técnica, indicações e habilidade para manuseio do equipamento e necessário treino técnico. “O profissional interessado em se qualificar, deve se basear em comprovações científicas, estudar casos clínicos e estar capacitado. Estamos caminhando para uma estética de segurança e com resultados, vamos fazer bom uso dessa oportunidade”, coloca.

Caso Clínico

O analista logístico Anderson Willian Barros Ferraz, de 25 anos, conta que lutou contra a acne dos 15 aos 20 anos e ficou com cicatrizes que o incomodam. Tentou tratamentos com ácidos, tomou remédios, mas nenhum trouxe o resultado esperado. Ao saber da técnica, foi procurar um profissional e quis saber mais. Ele diz que o microagulhamento superou as expectativas, mesmo sentindo um pouco de dor – mas que segundo ele, é “suportável”. “Estou muito animado com o tratamento”. Anderson mudou também a  alimentação e rotina com a intenção de se cuidar mais. “Estes cuidados também vão melhorar a minha pele, pois tudo está interligado”, disse.

Vantagens e desvantagens da técnica

Assandre explica que a técnica é segura e que não ocorre a remoção da epiderme – mantendo a pele íntegra e funcional. Além disso, ele diz que “os efeitos colaterais são de baixo risco, o procedimento tem rápida recuperação e é efetiva para todos fototipos”. Ele acredita que a desvantagem é que por ser uma técnica limitada a condição mecânica, há necessidade de promover sessões repetitivas para resultados mais visíveis e satisfatórios do cliente. E lembra: “temos que ter atenção especial para o que não se deve fazer durante e após o procedimento. Pois dependendo da abordagem terapêutica, podemos favorecer ou não o resultado final”

Cicatriz de acne microagulhamento

“Drug delivery” e Fatores de Crescimento

O microagulhamento favorece uma modalidade terapêutica conhecida como “drug delivery”, que é um sistema facilitador de permeação de ativos. “O objetivo é facilitar a permeação, em até 300 vezes, como descrito em alguns artigos científicos e assim acelerar os resultados das alterações inestéticas”, afirma Assandre. O microagulhamento também libera os fatores de crescimento, citocinas endógenas, em resposta a injúria causada pelas agulhas do roller, para acelerar o reparo tecidual. “Na cosmetologia avançada, contamos com os fatores de crescimento para administração tópica, incrementando os resultados e ativando as funções endógenas, aumentando o estímulo aos fibroblastos, dentre outras células específicas.”, afirma o especialista.

Contra-Indicações

De acordo com Assandre, a literatura adverte sobre as contra-indicações. “Se trata de uma técnica que na maioria dos casos, promove um processo inflamatório tecidual”, lembra. Por isso, as dermatoses inflamatórias, doenças imunodepressoras, terapia com corticóides, gravidez, lactação, neoplasias, alta propensão a queloides, dentre outras, estão nas contra-indicações para o uso do microagulhamento.

Biossegurança

Assandre chama atenção para que os profissionais procurem o roller com aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). “Um equipamento sem registo do órgão brasileiro fiscalizador, além de ser um ato de crime, pode ter fraudes na segurança, como agulhas oxidadas, amassadas, irregulares, levando em risco a saúde do cliente”, conta. Trata-se de um procedimento considerado caro, porque cada roller só pode ser utilizado apenas uma vez. Além disso, a (o) profissional que for utilizar deve estar paramentado com itens de segurança pessoal para fazer a aplicação de forma correta.

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